Recebi uma notificação do CRM: o que fazer nas próximas 48 horas?
Receber uma notificação do Conselho Regional de Medicina pode gerar insegurança, ansiedade e dúvida …

O médico pede demissão do cargo de diretor técnico, a clínica agradece e a vida segue. Meses depois chega uma notificação do CRM: sindicância aberta por uma irregularidade cometida na clínica, e o nome dele ainda consta como responsável técnico. Ele não trabalha mais lá. Ele nem sabia que a clínica nunca indicou um substituto.
Esse cenário se repete com uma frequência que a categoria médica não percebe, porque a saída do cargo parece, para quem sai, um fato consumado. Para o Conselho de Medicina, não é. A responsabilidade técnica segue regras próprias de início e de fim, e elas não coincidem com a data do desligamento.
Toda empresa, clínica, hospital ou instituição que presta assistência médica precisa se registrar no conselho regional de medicina de sua jurisdição. A obrigação vem da Lei nº 6.839, de 30 de outubro de 1980, que tornou obrigatório o registro das empresas, e a anotação dos profissionais habilitados que as dirigem, no conselho que fiscaliza a sua atividade básica. Para quem presta assistência médica, esse conselho é o CRM. A estrutura de cadastro foi criada pela Resolução CFM nº 997, de 23 de maio de 1980, e regulamentada em detalhe pela Resolução CFM nº 1.980/2011.
Esse registro exige um médico responsável: o diretor técnico. É ele quem assina o requerimento de cadastro, quem aparece no certificado de inscrição da empresa e quem responde perante o CRM pelo que a instituição faz. Não é um título honorífico nem um cargo de gestão administrativa. É uma função de responsabilidade técnica perante o conselho, com nome e número de CRM vinculados ao registro da pessoa jurídica.
O ponto que a maioria dos médicos desconhece está no art. 9º do anexo à Resolução CFM nº 1.980/2011: o diretor técnico responde eticamente por todas as informações prestadas perante os conselhos federal e regionais de medicina.
O art. 10 detalha quando essa responsabilidade cessa, e a redação é restritiva: somente quando o conselho regional tomar conhecimento do afastamento do médico responsável técnico, mediante sua própria comunicação escrita, por intermédio da empresa ou instituição onde exercia a função.
Duas palavras decidem o caso prático. “Somente” fecha a lista de formas de encerrar a responsabilidade: não existe cessação automática pelo fim do contrato de trabalho, pela demissão informal ou pelo simples afastamento de fato. E “comunicação escrita” exige que o CRM seja formalmente informado, não que o médico presuma que a clínica vai cuidar disso.
A Resolução CFM nº 2.147/2016, que disciplina a direção técnica e a direção clínica, vai na mesma linha. O art. 10 do seu anexo determina que, em caso de afastamento ou substituição definitiva, aquele que deixa o cargo tem o dever de comunicar o fato imediatamente ao Conselho Regional de Medicina, por escrito e sob protocolo, e que o diretor que assume também faça a sua notificação.
Enquanto o CRM não recebe essa comunicação, o registro continua no nome do médico que já saiu. Se a clínica funcionar de forma irregular nesse intervalo, sem vigilância sanitária em dia, sem médico de fato supervisionando a assistência ou com qualquer outra falha fiscalizável, é o nome dele que aparece no cadastro quando o conselho for apurar.
O art. 11 do mesmo anexo impõe o prazo à instituição, não ao médico que sai. A empresa promoverá a substituição do diretor técnico ou clínico em 24 horas, contadas do impedimento, suspensão ou demissão, e comunicará o fato ao conselho regional de medicina no mesmo prazo, mediante requerimento assinado pelo profissional substituto, sob pena de suspensão da inscrição da empresa. A norma ainda exige que a vigilância sanitária e os demais órgãos públicos e privados envolvidos na assistência sejam avisados.
Na prática, isso significa que a clínica tem uma obrigação própria e apertada, com sanção prevista contra ela mesma. Só que essa obrigação da empresa não substitui a comunicação pessoal do médico exigida pelo art. 10. São dois deveres paralelos, de titulares diferentes, e o descumprimento de um não supre o outro. Um médico que confia inteiramente na clínica para fazer sua baixa está apostando no cumprimento de uma obrigação alheia, sem nenhum documento em mãos que prove a própria saída.
O art. 12 trata de uma situação comum em clínicas de porte pequeno e médio: o médico responsável técnico que também integra o corpo societário da empresa. Nesse caso, a baixa da responsabilidade técnica só pode ser requerida pelo próprio médico, por requerimento próprio, informando o nome e o número de CRM do substituto naquela função.
A distinção importa porque um sócio não tem, sobre si mesmo, a mesma passividade documental de um médico contratado. Ele não pode esperar que “a empresa” comunique sua saída, porque ele é parte da empresa. Se o quadro societário mudar, ou se ele deixar de exercer a direção técnica mas continuar sócio, o requerimento de baixa é ato próprio dele, com a indicação de quem assume.
Para certos tipos de unidade, a direção técnica ganhou regras próprias em 2026. A Resolução CFM nº 2.467/2026, publicada em 13 de agosto de 2026 e com vigência 90 dias após a publicação, trata de unidades privadas de perícia médica, auditoria médica, medicina de tráfego, atendimento à saúde do trabalhador, unidades transfusionais, bancos de sangue e postos de coleta. Nesses estabelecimentos, um mesmo diretor técnico pode responder por até 10 unidades, desde que o conjunto não ultrapasse 30 médicos; na saúde do trabalhador, o limite é de 3 unidades, com médico do trabalho na direção técnica. A norma também exige, em regra, título de especialista do diretor técnico, supervisão presencial ao menos a cada 30 dias e registro em ata da supervisão remota. Quem dirige tecnicamente esse tipo específico de unidade encontra o detalhamento completo no artigo sobre a Resolução CFM 2.467/2026.
Uma sequência que reduz a exposição de quem está saindo:
O Dr. Alessandro Caldonazo e sua equipe técnica especializada atuam na defesa de médicos, dentistas, clínicas e hospitais. Em casos de saída do cargo de diretor técnico, o trabalho cobre a formalização da comunicação ao CRM, a revisão do que ficou pendente de assinatura na clínica anterior e, quando a saída já não foi comunicada a tempo, a defesa em sindicância ou processo ético que envolva fatos posteriores ao desligamento.
Para clínicas e hospitais que precisam nomear ou substituir um diretor técnico dentro do prazo legal, o escritório orienta o cumprimento do art. 11 e a regularização do cadastro perante o conselho e a vigilância sanitária, para evitar a suspensão da inscrição da instituição. Você pode conhecer o escopo desse atendimento na página de defesa em sindicância e processo ético no CRM e no CRO.
Se você deixou ou está deixando um cargo de direção técnica, ou se sua clínica precisa nomear um substituto, a revisão da situação é conversa de consultoria, com hora marcada e honorário definido. Para agendar, use o formulário do site ou o WhatsApp do escritório.
Somente quando o conselho regional de medicina toma conhecimento do afastamento por comunicação escrita do próprio médico, feita por intermédio da empresa ou instituição onde exercia a função, conforme o art. 10 do anexo à Resolução CFM nº 1.980/2011. O desligamento informal, por si só, não encerra a responsabilidade.
24 horas, contadas do impedimento, suspensão ou demissão, conforme o art. 11 do anexo à Resolução CFM nº 1.980/2011. No mesmo prazo, a substituição precisa ser comunicada ao conselho regional de medicina, por requerimento assinado pelo médico substituto, sob pena de suspensão da inscrição da empresa. A norma exige ainda que a vigilância sanitária e os demais órgãos envolvidos sejam avisados.
Não integralmente. O art. 12 do anexo à Resolução CFM nº 1.980/2011 prevê que o médico responsável técnico que também é sócio só pode requerer a baixa da responsabilidade técnica por requerimento próprio, informando o nome e o número de CRM do substituto.
Sim. A Lei nº 6.839/1980 tornou obrigatório o registro das empresas no conselho que fiscaliza a sua atividade básica, com a anotação dos profissionais habilitados; para quem presta assistência médica, esse conselho é o CRM. A Resolução CFM nº 1.980/2011 detalha o procedimento de cadastro e a responsabilidade técnica decorrente.
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